segunda-feira, junho 12, 2006

BARATAS

Já perdi a conta de quantas baratas esmaguei com o meu chinelo, não que meu apartamento esteja infestado, quer dizer, não tenho certeza; li em algum lugar que para cada barata que vemos, existem outras cinco escondidas em algum canto. É um pensamento assustador. Até pouco tempo atrás, além de repugnância, sentia também desprezo por tais seres. Isso começou a mudar depois de receber algumas informações sobre nossas “amigas”.
Existem quatro mil espécies de baratas, apenas dez são urbanas e, normalmente, apenas duas destas adentram nossos lares. Elas estão no mundo há mais de duzentos milhões de anos, surgiram antes dos dinossauros e sobreviveram a eles. Podem ficar um mês sem comer, sete dias sem beber água e, no desespero, podem comer parentes mortos ou vivos.
Enxergam bem no escuro, a carapaça protege todo seu corpo; aqueles pequenos “pêlos” espalhados captam o mínimo deslocamento de ar em sua direção – está explicado porque elas começam a fugir antes de começarmos com as chineladas – são praticamente imunes à radiação (sobreviveram aos dinossauros e vão sobreviver aos seres humanos) e ainda existem baratas que podem se reproduzir sozinhas, assexuadamente – certo, é prático, mas convenhamos, não é nem um pouco divertido.
Após receber estas informações, comecei a respeitá-las, afinal, elas são bem mais velhas que nós. Passei a olhá-las com outros olhos, olhos de quase admiração.
Fui para a sacada e acendi um cigarro. Eis que surge voando o objeto de meu mais recente respeito, pousando majestosamente no chão. Observo-a com reverência; as informações frescas na memória dançam. “Ela é antiga, perfeitamente adaptada a qualquer situação, imune à radiação...” Me enchi de respeito e admiração por aquele ser. Tudo não levou dez segundos, do pouso às minhas reflexões. Com um movimento rápido, desfiro-lhe uma certeira chinelada. Uma chinelada cheia de respeito e admiração, como ela merecia...


4 comentários:

mina brown disse...

poxa, mas eu amo baratas....

Eduardo Martins disse...

Eu também, ou melhor, admiro.

Anônimo disse...

Acho q a tal barata tava mesmo era querendo um cigarro homer...

Eduardo Martins disse...

Será? As baratas é são felizes, não têm que se preocupar com câncer de pulmão...